Em 1931 Jacob Jankowski tem 23 anos, e está cursando o
último ano de veterinário em Cornwell, uma das melhores faculdades dos Estados
Unidos. Embora fosse a época que mais tarde ficaria conhecida como “A Grande
Depressão”, sua vida era boa, dali a alguns meses iria se formar e trabalharia
no consultório do pai. Também estava com uma bela e interessante mulher,
Catherine Hale – apesar de ainda não terem transado (ele provavelmente era o
único ser virgem daquele campus), as coisas entre os dois estavam indo bem.
Mas a vida tem suas surpresas. Um dia o reitor Wilkins
interrompe sua aula com o professor Willard McGovern. Os dois homens trocam
algumas palavras, e então chamam Jacob para uma conversa fora da sala. “O que
será que eu fiz?”, se pergunta. Talvez tenham encontrado as bebidas e os
quadrinhos pornôs de Edward, seu colega de quarto. Quem dera fosse algo assim.
Com pesar, o reitor dá a notícia que o deixará a ver navios: seu pai e sua mãe
morreram num trágico acidente de carro. E mais – ele deve voltar para sua
cidade a fim de reconhecer os corpos.
Desconcertado, ao chegar lá descobre ainda que tudo que deveria
herdar dos pais – a casa e o consultório – terão que ser entregues ao governo,
para pagar dívidas até então desconhecidas pelo jovem. Depois de enterrar os
pais ele volta á Cornwell, mas não consegue se concentrar nas aulas e acaba
surtando e fugindo no meio da prova final, que lhe daria o diploma. Anda sem
parar, sem nenhum destino em mente, deixando tudo para trás. Até que para, no
meio da noite, para descansar os pés e ouve o som de um trem. Descobre então
que se trata do trem do Circo dos Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.
Jacob pula no trem em movimento, e com sorte é acolhido por
um trabalhador do circo, e este o leva até Tio Al, o dono deste. Como precisam
de um veterinário – tanto faz se Jacob fez a prova final, uma vez que ele
estudou na conceituada Cornwell –, o contratam. Ele deve trabalhar com o
diretor do setor equestre e superintendente dos animais e também com sua bela
esposa, Marlena, a domadora de cavalos. Jacob sabe que não deve se aproximar
dela. Porém, quanto mais tempo passa, mais encantado por ela o jovem fica. E o
destino parece forçar ainda mais essa união com a chegada de uma nova atração:
Rosie, a elefanta. Ela é um animal bonito, totalmente amigável, mas também é
absurdamente burra! Nenhum dos três consegue trabalhar com ela, que está se
tornando um peso para o orçamento do circo, que oscila cada vez mais por causa
da depressão.
Seja bem-vindo ao maior espetáculo da Terra: a vida.
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| Sara Gruen |
Comecei a ler Água
Para Elefantes um ano após ter visto o filme, pelo qual me apaixonei perdidamente. Eu já tinha, até então, certa expectativa, que foi altamente
superada, graças ao talento inquestionável de Sara Gruen. Seus personagens
parecem tão reais que várias vezes cheguei a me questionar se o livro não seria
baseado numa história real. A resposta: não, não é, mas foi muito bem
pesquisada e trabalhada, e o resultado foi tão fantástico que chegou a me dar desespero:
será que vou conseguir escrever assim algum dia? Só espero que sim... Mas o
fato que a história toda me inspirou muito.
Num mundo literário com superlotação de vampiros e outros
seres fantásticos, Água Para Elefantes
é uma grande relíquia da literatura atual. Não me leve a mal – adoro literatura
fantástica e vampiros, mas às vezes preciso de algo diferente do que estou
acostumada, e este livro me proporcionou uma leitura mais que agradável. Achei
interessante a abordagem do tema pouco comum (provavelmente porque exige muita
pesquisa): o circo. Não como aqueles livros infantis, que mostram para as
crianças palhaços sorridentes e animaizinhos fofos, mas sim mostrando tudo que
está detrás da cortina e do “senhoras e senhores”, compondo assim uma obra
madura e adulta.
Geralmente, quando vemos um filme sobre um livro antes de
lê-lo, por mais que gostemos de ler, acaba nos dando exaustão e tornando tudo
chato, repetitivo, uma vez que já conhecemos a história. Porém o livro foi
adaptado de modo a diminuir a faixa etária de público (entorno dos 16 anos) e a
tirar o melhor do livro. Mas, em livros como este, o melhor é simplesmente
tudo! Confesso que foi uma ótima
adaptação. Não estragou o livro e conservou o feeling da coisa, sem estragar
também uma provável leitura de quem ainda não o havia feito. Um grande trabalho
do diretor Francis Lawrence e do roteirista Richard La.
E com tantas coisas maravilhosas, esse livro tem algum
defeito? Bem, tem sim. Não é bem um defeito, pois não prejudicou a obra em si,
é mais uma coisa minha. A narrativa é densa, o que prolonga a leitura. Demorei
quinze dias para terminar. Quinze dias! Para quem costuma ler em três dias, é o
quíntuplo do normal! Também estou acostumada com livros que me seduzam e me
façam querer devorá-los em 24 horas, que me convençam a virar a noite para
saber o destino do protagonista, e porque, neste caso, o Sr. Jankowski, com 90
anos, foi parar em uma clínica geriátrica. Mas o final... esse sim me
surpreendeu, mas não vou dar spoilers. Basta dizer que é incrível!
Recomendo esse livro para maiores de 16 anos (ou 15,
dependendo da mentalidade do ser).
Classificação
![]() |
| Maravilhoso |
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